Livraria Babel em Lisboa

O José Mário Siva passou pela nova livraria da Babel em Lisboa e deixa aqui a sua opinião.

Published in: on Abril 26, 2010 at 16:26  Deixe um Comentário  
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Reabertura da Livraria Buchholz em Lisboa

A Livraria Buchholz, em Lisboa, reabre ao público na próxima quinta-feira pelas 18h00, no âmbito do acordo firmado entre a Coimbra Editora Livrarias (CE) e o grupo LeYa.

Published in: on Abril 6, 2010 at 8:10  Deixe um Comentário  
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Fotos Antigas – Bertrand, Chiado

Published in: on Janeiro 24, 2010 at 8:06  Deixe um Comentário  
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Lançamento de A Biografia de Saramago

Fim de tarde na livraria Bulhosa de Entrecampos O lançamento da obra agendado para as 18:30, poucas pessoas na livraria, o autor acabada uma entrevista para a sic e faz um compasso de espera. Finalmente às 19:00 e com mais gente na sala tem inicio a cerimónia.

António Simões do Paço, das Edições Pluma, faz a apresentação da obra antes do próprio autor João Marques Lopes. Sendo um lançamento conjunto das editoras Guerra e Paz e Edições Pluma, estava também na mesa a Directora editorial da Guerra e Paz.

A biografia, diz João Marques Lopes, lembra, além das obras, o papel da poesia, das crónicas no “Jornal do Fundão” e na “Capital” e da crítica literária na revista “Seara Nova” ou dos editoriais no “Diário de Lisboa” no percurso de José Saramago.

E retrata a infância na aldeia ribatejana da Azinhaga, na Golegã, a morte trágica do irmão mais velho quando Saramago tinha apenas quatro anos, a juventude em Lisboa e as adversidades da família, a importância de cada um dos seus familiares como a avó Josefa e o avô Jerónimo “capaz de pôr o universo em movimento apenas com duas palavras”. Conta, muitos anos mais tarde, o encontro com a segunda mulher, Pilar del Rio, após o divórcio de Ilda Reis e uma longa relação com Isabel da Nóbrega e a ida para Lanzarote.

Mas o livro debruça-se sobretudo sobre o mundo e as personagens dos livros de Saramago e a realidade política que moldou o militante para além do escritor, poeta e dramaturgo que foi também crítico literário, cronista e pensador. Saramago como Jean-Paul Sartre são “intelectuais totais”, escreve Marques Lopes. Com uma diferença: Saramago, ao contrário de Sartre, partiu do nada como revela a impossibilidade de tirar um curso superior ou a necessidade, já referida pelo próprio em Os Cadernos de Lanzarote, de ir à Sopa dos Pobres.

O livro põe em perspectiva essa imagem de um sobrevivente e autodidacta – nota o tempo passado nas bibliotecas – que supera críticas e adversidades e é distinguido com muitos outros prémios antes de receber o Nobel da Literatura em 1998.

João Marques Lopes – que tem publicadas biografias de Almeida Garrett, Fernando Pessoa e Eça de Queirós - nota episódios menos conhecidos de Saramago como a recusa de uma oferta milionária para a adaptação de O Memorial do Convento para o cinema.

E realça o lado humanista do escritor que transporta para os livros personagens simples e anónimas, próprias de uma rudeza da vivência rural. “Sobre todos [os familiares mais próximos], Saramago deixaria algo escrito”, lê-se na biografia.

O livro retrata com algum pormenor o percurso político do escritor, com a sua ligação ao PCP, a passagem pela direcção do “Diário de Notícias”, que coincidiu com o PREC e o Verão Quente de 1975 e que motivou acusações contra Saramago de ser um agente mandatado para impor uma política ditada pelo PCP. Nesta passagem, o livro foca em especial o caso do saneamento dos jornalistas que se opunham à linha editorial do jornal e explica que o papel do escritor nesses saneamentos foi enquanto participante num “acto colectivo” e não como responsável. Essa é uma das duas polémicas no percurso de Saramago referidas em pormenor neste livro. A outra é a do veto do Governo português em 1992 à candidatura do livro O Evangelho segundo Jesus Cristo para o Prémio Literário Europeu.

O autor escreve com base nos livros já escritos sobre o escritor, nas suas obras, nas suas crónicas e em conversas com pessoas que lhe são próximas mas que não revelam o nome. Os pedidos de entrevistas ao escritor ficaram sem resposta.

Embora João Marques Lopes recuse a ideia de esta ser uma biografia em homenagem a Saramago, nota-se neste retrato um tom de elogio – o mesmo que o autor confirma em entrevista ao P2 ao realçar “a capacidade do escritor em se fazer a si próprio” e “a firmeza e a confiança de Saramago nos seus projectos literários”.

Saramago começa com Terra do Pecado, em 1947, e mais tarde, em textos de prosa e poesia, mostra-se alheio às tendências da literatura, mas resiste e afirma-se, em 1980, com Levantado do Chão e, depois, Memorial do Convento, como portador de uma inovação criadora e um estilo único com nome próprio – “estilo saramaguiano”.

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