Do lado direito deste blog, lá em baixo, existem algumas capas de livros que considero como sendo dos melhores que já li. Não tendo planeado escrever nenhum post sobre o assunto, não posso contudo deixar de responder ao simpático desafio lançado pela Maria Fonseca no seu blog vida(s) urbana(s) para falar sobre alguns dos livros da minha vida.
As Vinhas Da Ira (John Steinbeck) e Seara De Vento (Manuel da Fonseca) são dois dos livros da minha vida. Outros são, Cem Anos de Solidão (Gabriel Garcia Marquez) A Ilustre Casa de Ramires (Eça de Queirós) e As Aventuras de Huckleberry Finn (Mark Twain), Isto só para referir alguns, porque outros existem.
De As vinhas da Ira, obra maior de John Steinbeck a quem um dia um seu professor terá dito que só se tornaria um autor quando os porcos voassem, quase tudo já foi dito. A odisseia dos trabalhadores rurais expulsos do Oklahoma pelos tractores agrícolas, a perda das terras pela impossibilidade de pagar as hipotecas, e a migração para a Califórnia em busca de trabalho e salário comendo o pão que o diabo amassou, continua de certeza quase tão actual hoje como em 1939.
Manuel da Fonseca, a quem costumo chamar «um dos gigantes alentejanos» publicou em 1958 o livro Seara de Vento que eu pessoalmente considero um dos melhores romances neo-realistas de sempre. Este livro tem tudo o que o Alentejo da época tinha para oferecer aos camponeses pobres, homens acossados pela fome, pelos maus tratos e perseguições, mudos e explorados, mas também heróicos e esperançados num futuro melhor, e que muitas vezes eram forçados a escolher entre morrer ou tentar sobreviver de outras formas. Não tendo o fino recorte literário de um Eça, Manuel da Fonseca tem no entanto a seu favor a experiência e a sabedoria do povo, senhor de uma prosa pura e dura, transporta para este romance o Alentejo real por muitos desconhecido. Para mim um dos melhores romances portugueses que já foi escrito.
Cem Anos De Solidão, de Gabriel Garcia Marquez, dispensa apresentação. Este livro ficará no meu imaginário como um dos melhores que já li, tendo ainda a seu favor este fantástico inicio. “Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía haveria de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo”.
As Aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain, marcou-me na juventude quando o li pela primeira vez e continua a marcar-me de cada vez que o releio. Hoje, como na altura, ainda quero ser Tom Sawyer e viver as mil aventuras que não vivi na infância. Tom e Huck, serão para sempre dois espíritos livres que correm nas asas da minha imaginação.
A Ilustre Casa de Ramires foi a primeira obra de Eça de Queiroz que li, e talvez por isso ficou-me gravado na memória. Frequentemente a ele regresso, e é sempre com prazer que me embrenho nas desventuras do meio arruinado fidalgo da torre de seu nome Gonçalo Ramires, e da sua ascensão literária e politica que o haveria de conduzir a terras de África já lá para o fim do romance.
Estes são cinco dos livros que há muitos anos me acompanham. Lidos numa ou noutra altura da vida, num ou noutro contexto, por alguma razão ficaram num canto do meu cérebro, e é ai que os vou deixar para sempre.