« Trigo Maduro» Cenas da Vida no Campo

Já se encontra online a primeira das cenas da vida no campo. Trigo Maduro é uma pequena Aldeia onde acontecem as coisas mais bizarras que imaginar se possam.

Em Trigo Maduro existem personagens como o Tio Simão que todas as manhãs sai para a horta mas nunca lá consegue chegar, ou o pastor Toino Pouca Barba que convive com bruxas e é capaz das maiores artimanhas só para conseguir cravar um cigarro, um agricultor chamado Júlio dos porcos que anda com os ditos pela trela, um pescador que há anos tenta pescar um peixe,  ou um guarda rios que não sabe nadar.

Em Trigo Maduro tudo é possível. Para ler basta seguir o link http://pt.scribd.com/TRIGO-MADURO-1/d/51475507

 

Published in: on Março 24, 2011 at 17:42  Deixe um Comentário  
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Franguinhos De Aviário – Crónica

A ilustração que acompanha esta crónica foi retirada daqui

Um tipo chamado Evo Morales, que por acaso é Presidente de um País chamado Bolívia, decidiu arrotar umas postas de pescada e veio para os média dizer que a culpa de existirem carecas e homossexuais é, imagine-se, dos frangos de aviário.

Eu não sei o que é que passou pela cabeça do gajo. Tanto quanto sei, antes de existirem frangos do aviário já existiam carecas e tipos dos outros. Depois de ler a notícia num jornal decidi fazer uma investigação sobre o tipo e descobri umas coisas interessantes.

Descobri por exemplo que é autor de frases tão emblemáticas como as que se seguem. «o capitalismo é sinónimo de inanição» «Não roubar, não mentir, não ser frouxo». Fico também a saber algumas coisas sobre a vida do dito cujo, por exemplo que nas horas vagas é líder do movimento de esquerda boliviano cocalero, uma federação de agricultores que tem por tradição o cultivo de coca. Há é verdade, o tipo pensa que a coca-cola é feita a partir da coca que ele cultiva.

Na minha investigação vi uma fotografia do dito cujo. Palavra de honra que me faz lembrar alguém. Aquele penteado…Hum! Muito suspeito.

Published in: on Maio 5, 2010 at 7:01  Deixe um Comentário  
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Os Beneficios do Facebook – Crónica

Normalmente entro tarde e a más horas nestas coisas das novas tecnologias. Foi assim com os telemóveis, com os computadores, com a internet e agora com as redes sociais.

Poderia dizer que é por falta de tempo, por falta de confiança ou por mil e outras razões, mas na verdade é mesmo por pescar muito pouco daquilo. Isto vem a propósito de recentemente ter aderido ao facebook e estar a sentir-me como peixe na água.

Adivinha-se eu os benefícios da coisa e de certeza já lá estaria há muito tempo. Não há nada mais maravilhoso que ter centenas de amigos (alguns deles famosos) que nunca conheci nem certamente virei a conhecer. E a maravilhosa sensação de encontrar pessoas com os mesmos gostos que nos convidam a fazer parte de grupos maravilhosos como por exemplo «minis & caracóis» «eu não quero emprestar dinheiro à Grécia, eles que vendam a taça do euro 2004» «bato nas coisas quando elas param de funcionar» ou «eu já fechei mais bares que a ASAE» «Grupo de Pessoas que ainda NÃO ganharam o Euromilhões» etc, etc, etc.

Francamente sinto-me em casa. Até porque ali reina a democracia e existem  tipos com nomes como Osama Bin Laden ou Barack Obama. As coisas que  estava a perder.Definitivamente eu não existia antes de entrar no Facebook. Estou até a pensar em criar um grupo dedicado a pessoas como eu e que se chamará «como é que eu consegui sobreviver até hoje sem estar no facebook?»

Published in: on Abril 28, 2010 at 7:28  Deixe um Comentário  
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Sai Um Bel-Ami – Crónica

Um tipo chamado Guy de Maupassant escreveu um livro a que deu o pomposo título de Bel-Ami. Suicidou-se em 1893. Bem…Todos sabemos que ele há tipos que não aguentam as críticas. Por acaso eu se tivesse um nome destes também já me tinha suicidado de certeza. Não é por nada, mas podia dar azo a trocadilhos, tipo de Maupassant passar a Maupagant, e como todos sabem estas coisas mexem com a caixa dos pirolitos de um gajo. Adiante! O meu amigo M que percebe á brava das caixas dos pirolitos dos outros, diz que o Maupassant escrevia sobre situações psicológicas e de crítica social com estilo naturalista. Nem mais! Por vezes fico parvo com as capacidades intelectuais do M.

Outro que às vezes me deixa de cara á banda pelas mais diversas razões è o Presidente do Sporting, mas para tristezas já basta o suicídio do Maupassant. Tenho reparado aliás que esta malta das letras gostam de se suicidar das mais diversas formas. Ele há menino que chega a escrever uma enfiada de livros á pressa só para poder suicidar-se a seguir. As coisas que as pessoas fazem só para chegarem á fama. Era caso para um estudo bem profundo.

Eu não acho nada que o Carvalhal se vá suicidar no fim da época quando sair do Sporting. Para mim será mais um peso que lhe tiram de cima. Já o Presidente… Esse tem vindo a suicidar-se lentamente desde que lá entrou. O Maupassant, diz o M, escreveu também sob pseudónimo. Naturalmente já o tinham começado a tratar por Maupagant, digo eu. Para já não falar no facto de que um nome como Bel-Ami pode até estar bem para electrodomésticos ou garrafas de licor, mas como título de livro francamente não me convence. O que è que soa melhor? Um tipo entrar numa livraria e pedir um livro chamado Bel-Ami, ou entrar num bar e pedir um Bel-Ami com duas pedras de gelo?   

Published in: on Abril 23, 2010 at 7:21  Deixe um Comentário  
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Literaturas de Domingo – Crónica

Os Domingos sempre foram dias muito produtivos para os escritores. Muito mais que as Segundas-feiras, vá lá saber-se porquê. Assim de repente não me lembro de muitos livros que incluam Segunda-feira no título. Já com os Domingos a história è diferente. Bem podem chover mãos e pés para os contarmos pelos dedos.

Nas estantes abundam títulos como Davam Grandes Passeios aos Domingos de José Régio, Domingo à Tarde existem pelo menos dois, um de Fernando Namora e outro de António de Macedo, há um Domingo Negro de Thomas Harris e O Profundo Silencio das Manhãs de Domingo de Manuel Jorge Marmelo ou Um Longo Domingo de Noivado de Sébastien Japrisot e ainda um cujo título é de longe o meu preferido, Os Guarda Redes Morrem ao Domingo de José do Carmo Francisco, sendo que existe ainda Um Domingo de Aventuras de John Pudney.

Não se compreende pois o facto de esta malta das letras sendo tão produtiva ao Domingo não fazerem mais nada durante a semana. Existem evidentemente excepções, o John Pudney era tipo para ganhar o Nobel uma vez que escreveu um livro para cada dia da semana começando na Segunda-feira e terminando no Domingo. Outros que começaram durante a semana foram, Michel Tournier com Sexta-feira Ou a Vida Selvagem e G. K. Chesterton com O Homem Que Era Quinta-feira. Já no que toca às Segundas, Terças e Quartas-feiras, parece que tá de chuva.

Published in: on Abril 20, 2010 at 7:46  Deixe um Comentário  
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A Mão Esquerda da Cultura – Crónica

Não deve existir nada mais ridículo do que o facto de um tipo ter de andar a apanhar do chão as moedas que deixou cair. A mim isso acontece-me com alguma frequência. E frequentemente nunca deixo cair só uma. São sempre duas ou três. E mais, deixo-as cair nos locais mais improváveis. Enfim…No melhor cano cai a nódoa. Vem isto a propósito de ainda ontem ao beber uma cerveja com o M, este ao retirar do bolso as moedas para pagar ter espalhado meia dúzia delas pelo chão da esplanada. O M é canhoto e eu sempre gostei de o espicaçar. Como quem não quer a coisa lá fui dizendo, tas a ver pá, estou farto de te dizer, os tipos de esquerda acabam sempre por perder o dinheiro todo.

Há malta de esquerda que è culta! Assim de repente estou a lembrar-me da Joana Amaral Dias que escreveu um livro a contar que já tinham passado pelo sofá lá de casa um monte de maníacos como Fernando Pessoa, Marquês de Pombal ou João César Monteiro. Todos eles foram pessoas muito á frente do seu tempo, mas dai a ofender…! O Pessoa como se sabe, escreveu aquela coisa da mensagem mas nunca tinha dinheiro para tabaquinho e macieira. Já o Marquês, e apesar de ter mandado matar Os Távora até á quinta geração, acho que não é motivo para merecer a designação de maníaco. Tinha lá umas manias e tal, mas no fundo estou convencido que não era mau tipo.

E que dizer de João César Monteiro? Simplesmente que foi o tipo que revolucionou o cinema Português. Um gajo que faz um filme chamado Branca de Neve e que depois se vem a verificar que não tem imagem mas apenas som, é certamente um visionário. Alguém muito à frente. Antigamente o cinema não tinha som, mas as imagens apesar de não terem a qualidade dos filmes de hoje estavam lá. O tipo conseguiu fazer um filme sem imagens, só o som num ecrã vazio. Muito á frente estão a ver? Não está ao alcance de qualquer um.

Não è que eu fique ofendido por não aparecer no livro, mas para falar com franqueza acho que o meu nível intelectual não è muito inferior ao destes tipos.

Published in: on Abril 16, 2010 at 7:30  Deixe um Comentário  
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Dinheiro Por Um Canudo – Crónica

Acabei agora mesmo de pôr de parte os 73€ que o governo Português me exige para salvar a Grécia da banca rota. Em conversa ontem com o meu amigo M, o mesmo disse-me não estar disposto a colaborar na coisa. Que não confia nos gregos, que ele próprio já se começa a ver grego para arranjar mensalmente 50€ para tremoços e cervejas, e que por isso não vai na cantiga. Ainda se fosse em prestações poderia pensar no assunto, mas tudo de uma vez só, nem pensar.
Ainda tentei convence-lo dizendo que se tratava de um empréstimo e tal, mas nem assim se convenceu. E depois quando é que lhe devolvem o dinheiro? E juros, não contam? Para além de que os Gregos são uns tipos lixados e ele M, desde o Euro 2004 não pode com eles nem do lado de cima do vento. Alem disso, acrescenta franzindo o sobrolho, os tipos não fazem pela vida, passam o tempo todo à porrada ora com a polícia, ora uns com os outros.
Para completar, acrescentou, tiveram lá um tipo chamado Sócrates e de certeza que foi ele que estragou aquilo tudo. Basta ver os monumentos deles, estão todos em ruínas.

Published in: on Abril 13, 2010 at 7:00  Comentários (1)  
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Aconteceu em «Cascos de Rolhas» – Crónica

Quando era miúdo e ouvia falar em locais distantes que não sabia onde ficavam, era normal perguntar aos adultos «onde è que fica isso?» Ou porque não soubessem, ou porque não se quisessem chatear a explicar essas coisas a um miúdo, uma das respostas que mais vezes ouvia era «fica lá para Cascos de Rolhas».

Como ninguém me explicava onde se situava Cascos de Rolhas, e não dispondo eu na altura de um mapa do mundo, diversas vezes procurei no mapa de Portugal mas nunca consegui encontrar o local. Uma certeza eu tinha, devia ser um local muito grande para se passarem lá tantas coisas. Onde é que isso aconteceu? Em Cascos de Rolhas. Para onde é que eles foram? Para Cascos de Rolhas. Onde é que isso fica? Em Cascos de Rolhas.

Na altura jurei a mim próprio que quando crescesse havia de descobrir onde ficava esse lugar mágico. Agora que cresci e sou um consumidor compulsivo da série Morangos com Açúcar, ainda não desisti de descobrir o lugar de Cascos de Rolhas. Mais que o Pais das Maravilhas, mais que o Sitio das Coisas Selvagens ou o Sitio do Picapau Amarelo, o que eu mais desejo na vida é ir a Cascos de Rolhas.

Ora bem… na impossibilidade de lá ir fisicamente (não sei onde fica) decidi escrever um romance cuja acção se passa em Cascos de Rolhas. Tanto quanto sei nenhum escritor se lembrou ainda disto, dai a ideia ser original e a coisa ter pernas para andar. O céu è o limite e certamente alguns prémios literários esperam por mim o que irá contribuir para que o meu génio seja reconhecido de uma vez por todas.

Published in: on Abril 9, 2010 at 7:30  Deixe um Comentário  
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Os Cães Não Ladram Aos ET,s – Crónica

Ernest Hemingway era um tipo no mínimo curioso. Viveu muito tempo em Cuba, fumava charutos, bebia que se fartava e entre duas carraspanas escrevia livros com títulos tão alegres como As Verdes Colinas de África, As Neves do Kilimanjaro ou Paris È Uma Festa. Não andasse eu tão ocupado a escrever a minha obra-prima de ficção científica, que por acaso também tem um título bem alegre, Os Cães Não Ladram Aos Et`s, e haveria de ler um ou outro livro do tipo. Não è para me gabar mas acho que o meu livro vai ser um sucesso e estou até a pensar vender os direitos a Hollywood se me chatearem muito.

Numa manhã de ressaca deu um tiro na cabeça! O Hemingway, quero eu dizer. Mas não sem antes ganhar o Prémio Nobel, logo a seguir a ter escrito um livro chamado O Velho e o Mar em que havia um velhote que um dia foi à pesca e apanhou um peixe tão grande que não conseguiu mete-lo dentro do barco. Mais olhos que barriga está-se mesmo a ver.

O título para o livro surgiu-me quando vi na televisão o anuncio em que uma Senhora diz que às tantas da madrugada ouviu ladrar os cães no quintal e eram os extraterrestres que lá andavam a roubar ameixas. Vai daí, ela que já tinha feito negócio com o Senhor da compal, pega na enxada e dá-lhe tantas que nem o Bruno Alves nos jogadores adversários. Parece que ameixas não levaram nem uma!

O meu amigo M que è um tipo versado nestas coisas, diz que aquilo não tem pés nem cabeça porque os cães nunca ladram aos extraterrestres, e dai eu ter tido a ideia original de dar este título à minha obra-prima. Ao Hemingway, tanto quanto sei, nunca as bebedeiras lhe deram para escrever ficção científica.

Published in: on Abril 6, 2010 at 7:03  Deixe um Comentário  
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Hitler x Salazar – Crónica

Hitler terá vivido os seus últimos anos num monte alentejano. Quem o afirma é o meu amigo M, que para provar a veracidade da coisa exibe um autógrafo que o mesmo lhe terá escrito numa prata de um maço de tabaco de marca «provisório».

Vem isto a propósito da cena de pancadaria que terá existido ali para os lados dos calabouços da PJ, protagonizada entre um skinhed e um violador, mas na verdade o que eu queria mesmo era falar de Cunha Leal que como todos sabemos era um tipo que não gostava de Salazar e que escreveu livros com títulos como, A Pátria em Perigo e Cântaro Que Vai á Fonte.

Não pensemos contudo que Cunha Leal era o único a não gostar de Salazar, segundo dizem, Marcelo Caetano também não gostava lá muito dele. Eu não sabia que Marcelo Caetano usava camisas às bolinhas, só o soube quando li o livro de Manuela Goucha Soares precisamente intitulado «A Camisa Às Bolinhas de Marcelo Caetano». Raios me partam! Quem é que quer ser governado por um tipo que usa camisas às bolinhas?

O M diz que Hitler criava ovelhas no monte e que passava longas horas a falar ao telemóvel. Ora bem, é perfeitamente aceitável que haja algo de verdade nisto, até porque está cientificamente provado que os tipos que vivem em montes alentejanos e passam longas horas a falar ao telemóvel não são Portugueses.

No que toca á cena de pancadaria nos calabouços da PJ, bem, que venha o diabo e escolha. Ignoro se existe uma biblioteca nos calabouços da PJ, mas a existir acho que deviam obrigar estes tipos a ler as obras completas de José Rodrigues dos Santos mais o Equador e O Rio das Flores de Miguel Sousa Tavares. De certeza que ficavam sem vontade de cometer mais crimes.

Published in: on Abril 2, 2010 at 7:21  Deixe um Comentário  
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Estádio Almeida Garrett – Crónica

Não fosse o facto de viver permanentemente preocupado com o Sporting e há muito que teria acabado a minha tese que versa sobre a importância dos plátanos na obra de Almeida Garrett. Realmente não se compreende aquela mania do Carvalhal pôr a equipa a jogar em 4-4-3 quando todos sabemos que o esquema ideal não é aquele. É assim qualquer coisa como comer tremoços sem beber imperial, estão a ver?

A verdade verdadinha é que passo o tempo todo a pensar no assunto e a minha vida ressente-se disso. De vez em quando faço um retiro espiritual numa gruta que existe na Serra da Estrela e cuja localização só eu conheço, e é então ai que me farto de pensar.

Foi precisamente num desses dias em que me encontrava na gruta, que me pus a dissecar o assunto e estava quase a chegar á conclusão que o tipo não percebia nada de botânica e confundia plátanos com outras árvores, quando de repente me lembrei que José Rodrigues dos Santos estava a escrever um novo livro. Caramba! Fiquei assustado. Tão certo como o padre Amaro ter andado enrolado com a Soraia Chaves.

Tenho evidentemente as minhas dúvidas se o Carvalhal terá pulso para aguentar aquela malta toda indisciplinada, mas pronto, o Moita Flores também era polícia e no outro dia estava ali na televisão a falar com espíritos. E ele é um tipo que até já escreveu livros e tudo, o que como devem compreender é uma coisa que dá assim uma certa áurea a um gajo. Por outro lado, o facto de um dos livros do Garrett se chamar Folhas Caídas também pode indicar que afinal ele percebia de árvores.

Decididamente tenho mesmo que acabar a tese. O pior é se nem o quarto lugar no campeonato este ano conseguimos.

Published in: on Março 30, 2010 at 8:33  Comentários (2)  
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Dos Livros Da Minha Vida

Do lado direito deste blog, lá em baixo, existem algumas capas de livros que considero como sendo dos melhores que já li. Não tendo planeado escrever nenhum post sobre o assunto, não posso contudo deixar de responder ao simpático desafio lançado pela Maria Fonseca no seu blog vida(s) urbana(s) para falar sobre alguns dos livros da minha vida.

As Vinhas Da Ira (John Steinbeck) e Seara De Vento (Manuel da Fonseca) são dois dos livros da minha vida. Outros são, Cem Anos de Solidão (Gabriel Garcia Marquez) A Ilustre Casa de Ramires (Eça de Queirós) e As Aventuras de Huckleberry Finn (Mark Twain), Isto só para referir alguns, porque outros existem.

De As vinhas da Ira, obra maior de John Steinbeck a quem um dia um seu professor terá dito que só se tornaria um autor quando os porcos voassem, quase tudo já foi dito. A odisseia dos trabalhadores rurais expulsos do Oklahoma pelos tractores agrícolas, a perda das terras pela impossibilidade de pagar as hipotecas, e a migração para a Califórnia em busca de trabalho e salário comendo o pão que o diabo amassou, continua de certeza quase tão actual hoje como em 1939.

Manuel da Fonseca, a quem costumo chamar «um dos gigantes alentejanos» publicou em 1958 o livro Seara de Vento que eu pessoalmente considero um dos melhores romances neo-realistas de sempre. Este livro tem tudo o que o Alentejo da época tinha para oferecer aos camponeses pobres, homens acossados pela fome, pelos maus tratos e perseguições, mudos e explorados, mas também heróicos e esperançados num futuro melhor, e que muitas vezes eram forçados a escolher entre morrer ou tentar sobreviver de outras formas. Não tendo o fino recorte literário de um Eça, Manuel da Fonseca tem no entanto a seu favor a experiência e a sabedoria do povo, senhor de uma prosa pura e dura, transporta para este romance o Alentejo real por muitos desconhecido. Para mim um dos melhores romances portugueses que já foi escrito.

 Cem Anos De Solidão, de Gabriel Garcia Marquez, dispensa apresentação. Este livro ficará no meu imaginário como um dos melhores que já li, tendo ainda a seu favor este fantástico inicio. “Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía haveria de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo”.

As Aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain, marcou-me na juventude quando o li pela primeira vez e continua a marcar-me de cada vez que o releio. Hoje, como na altura, ainda quero ser Tom Sawyer e viver as mil aventuras que não vivi na infância. Tom e Huck, serão para sempre dois espíritos livres que correm nas asas da minha imaginação.

A Ilustre Casa de Ramires foi a primeira obra de Eça de Queiroz que li, e talvez por isso ficou-me gravado na memória. Frequentemente a ele regresso, e é sempre com prazer que me embrenho nas desventuras do meio arruinado fidalgo da torre de seu nome Gonçalo Ramires, e da sua ascensão literária e politica que o haveria de conduzir a terras de África já lá para o fim do romance.

Estes são cinco dos livros que há muitos anos me acompanham. Lidos numa ou noutra altura da vida, num ou noutro contexto, por alguma razão ficaram num canto do meu cérebro, e é ai que os vou deixar para sempre.

Published in: on Março 28, 2010 at 8:05  Comentários (1)  
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Os Suspeitos Do Costume

Anda meio mundo a tentar descobrir quem hasteou esta madrugada a bandeira monárquica no alto do parque Eduardo VII.

Ora bem! Não creio que seja preciso ter frequentado a Universidade Independente para descobrir a coisa. Vamos por partes… Foram os Monárquicos? Parece-me demasiado óbvio. Os Republicanos? Só se for para tentar incriminar os Monárquicos. Terão sido aqueles tipos que se estão nas tintas tanto para a Monarquia como para a Republica? É bem possível… Mas esses ninguém sabe quem são. Algum dos candidatos a líder do PSD? Na… A mim parecem-me todos sofrer de vertigens. E os Espanhóis? Nossos eternos inimigos, eram tipos para isso e muito mais. Até porque o Corte Inglês é logo ali ao lado. Terá sido a CIA? Eram gajos para fazer isso. Evidentemente que também não posso descartar a hipótese de ter sido o Bin Laden, embora me incline mais para os lados do Pinto da Costa. E o Marquês de Pombal? Até porque está ali perto na rotunda, enfim, o tipo poderia estar aborrecido de tanta imobilidade e vai dai… muito suspeito. Igualmente suspeita é a Associação de Bacalhoeiros Portugueses com sede ali em Alcântara. Esses sim, nunca me enganaram. E o Zézé Camarinha? A verdade é que nunca confiei muito no tipo. Resta-me ainda a hipótese sempre provável de terem sido os extraterrestres, mas segundo a Associação Nacional de ETS não existem registos de os mesmos terem feito qualquer aterragem esta noite no local.

O assunto está seriamente a preocupar-me e não vou evidentemente conseguir voltar à minha vida normal enquanto o mistério persistir.

PS. Fontes (geralmente) bem informadas, proximas e fidedignas acabam de me confidenciar que a Camara Municipal de Lisboa contratou Sherlock Holmes para resolver o mistério.

Published in: on Março 26, 2010 at 16:57  Deixe um Comentário  
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Coisas de Miudos II – A Bicicleta

«A coisa até que correu bem nos primeiros dez ou quinze metros. O veículo funcionava e estava a ganhar uma boa velocidade na descida. Atrás de si ouvia os gritos dos outros miúdos que vinham a correr na descida, não tinham qualquer hipótese de o apanhar, ele já ia a mais de cem à hora.
Foi então que se lembrou de um pormenor. Tinha-se esquecido de perguntar ao Caixa de Óculos como é que parava quando chegasse lá em baixo. O veículo não tinha nada que se parecesse com um travão. Foi nessa altura que a roda da frente bateu num buraco e começou a derrapar para a esquerda. Vendo o precipício ali tão perto, tentou desesperadamente torcer a direcção para a direita. Quanto mais torcia para a direita, mais o veículo teimava em ir para a esquerda. Subitamente viu a roda da frente sair e avançar a rodar sozinha pela encosta.
Iniciou então um fantástico voo por cima do silvado e do canavial. Avistou o Tio Miguel lá em baixo e disse-lhe adeus, depois de repente as canas começaram a aproximar-se perigosamente e quando abriu os olhos tinha o Tio Miguel debruçado sobre ele a perguntar se estava bem. Disse-lhe que tivera uma sorte danada em aterrar em cima das canas que ele acabara de cortar. Tinham sido as canas a amortecer a queda.
Todos os outros miúdos tinham desaparecido de repente, parece que qualquer misteriosa urgência os chamara para outra parte qualquer, e o Caixa de Óculos estava ocupado a recolher as peças do veículo (parece que a roda da frente tinha ido parar a mais de cem metros).»
Excerto do conto (A Bicicleta) de António Góis

Published in: on Fevereiro 21, 2010 at 8:01  Deixe um Comentário  
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Coisas de Miudos – A Tourada

«Uma vez chegados junto da cerca de arame farpado, quedaram-se a observar o boi que pastava com o ar mais calmo deste mundo. Era um animal castanho, enorme e assustador mesmo com o seu ar mais calmo. Todos ali conheciam a fama do animal, quando enfurecido levava tudo à frente e nem o dono escapara a umas valentes marradas no ano anterior.
    Encostados à cerca, iam observando e tecendo considerações.
   – Não parece muito mau – observou o Pilha Galinhas.
   – Dizem que quando eles estão assim ainda são piores – o Tóino da eira franzia o nariz.
   – Aqui há uns tempos pregou umas marradas tão valentes no meu pai que ele ainda hoje se queixa – observou o Zé Pedro.
   – E então, quem é que vai primeiro? – O caixa de óculos lançava achas na fogueira.
   – Cá por mim… – O Lanzudo encolheu os ombros.
   – Se quiseres podes ir primeiro. – O Zé Manél meteu as mãos nos bolsos enquanto olhava para o céu.
   – Alguém tem de ir primeiro – o caixa de óculos voltava à carga.
   – Não me digam que perderam a coragem? – O pilha galinhas ajudava à festa.
   – Ele cá não – ripostou o Lanzudo.
   – Estou aqui para o que der e vier – o Zé Manél tirou as mãos dos bolsos e cruzou os braços sobre o peito.
   – Já sei – o caixa de óculos começou a revistar os bolsos – atira-se uma moeda ao ar, um escolhe cara, o outro coroa, o que ganhar vai primeiro.
   – Cá por mim… – O Lanzudo cuspiu para o lado.
   – Pode ser – respondeu o Zé Manél encolhendo os ombros.
    O caixa de óculos continuou a revistar os bolsos por mais alguns instantes e acabou por encontrar uma moeda de cinco tostões. Aproximou-se dos dois e estendeu a moeda.
   – Eu sou o mais velho – lembrou o Lanzudo – por isso escolho primeiro.
   – Escolhes cara ou coroa? – O caixa de óculos ia mostrando ora um, ora o outro lado da moeda.
    O Lanzudo pegou na moeda e depois de a observar por alguns momentos, decidiu-se pela coroa o que deixava a cara para o Zé Manél. Antes que fosse feito o sorteio, este pegou também na moeda e observou-a atentamente. Acabou por a devolver ao caixa de óculos enquanto dizia…
   – Ná… Eu com esta moeda não jogo! Está toda gasta e alem disso está torta. Ná, não pode ser.
    Gerou-se de imediato a discussão, se a moeda estava torta ou não, se era ou não válida, toda a gente dava a sua opinião, o Lanzudo lá ia dizendo que eram tudo desculpas, que o Zé Manél não tinha mas era coragem, este que sim senhor, que tinha muito mais coragem que ele, mas que só aceitava jogar com uma moeda em condições. Entretanto todos revistavam os bolsos, e moedas não apareciam nem mais uma. O impasse ameaçava prolongar-se por tempo indefinido quando o Pilha Galinhas como que por artes mágicas, surgiu com outra moeda de cinco tostões, o que levou a outra discussão com o Tóino da eira porque o outro lhe ficara a dever cinco tostões havia um monte de tempo e dizia sempre que não tinha para lhe pagar. Serenados os ânimos, e feita a promessa que mal acabasse o sorteio a moeda revertia a favor do Tóino, preparou-se o Caixa de óculos que de todos era o mais novo para atirar a moeda ao ar.»

excerto do conto «A Tourada» de António Góis

Published in: on Fevereiro 17, 2010 at 18:14  Comentários (2)  
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Dois Tiros Na Noite

   Estranharia quem o visse por ali aquelas horas de passo apressado e sobrolho carregado. Se não se lhe adivinhavam os pensamentos, deduzia-se pela cara que não seriam dos mais agradáveis. Para os lados do pôr-do-sol já se ia perdendo na distância a Aldeia, a própria eira começava já a ficar para trás, no entanto os seus passos longos continuavam a esmagar torrões e restolho como se disso dependesse a sua própria vida. O rosto magro e queimado de muitos sois, sulcado de rugas que a barba de uns quantos dias já começava a esconder, era uma inesgotável fonte de suor, muito embora ele frequentemente o limpasse com a mão. Por breves instantes as compridas pernas pararam de mover-se e os olhos castanhos que denotavam determinação à mistura com uma certa tristeza, olharam o horizonte à sua frente. O restolho continuava ainda por uma centena de metros e a partir dali acabava o terreno limpo e começava o montado que se estendia por quase uma légua até à Herdade Grande. Ajeitou a bandoleira da espingarda que transportava no ombro e com um suspiro recomeçou a caminhar agora em direcção ao montado. Ignorou a estrada de terra batida que serpenteava pelo montado dentro, e embrenhou-se no arvoredo num local onde não havia qualquer caminho. Tão absorto ia nos seus pensamentos que nem deu pelo pastor que ali a cinquenta metros o observava com estranheza.
Os últimos raios de sol atingiam ainda as copas das árvores, a noite caía devagar…

excerto do conto «Dois tiros na noite» de António Góis

Published in: on Fevereiro 10, 2010 at 8:32  Deixe um Comentário  
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Balada Para um Rio Imaginário

   O João Raminhos prometeu e cumpriu! Victor, quando eu tiver as coisas organizadas chamo-te também para Lisboa, que não era Lisboa mas sim Laranjeiro, na altura era tudo igual e um emprego na Lisnave não era para qualquer um.
  – É verdade rapaz, isto aqui não é futuro pra ninguém, – tema de conversa com o Tio Manél dos Remédios sentados os dois na margem do rio à sombra do freixeiro grande, enquanto as tainhas vão saltando no pego.
  – Isto agora até o rio está diferente, – ia dizendo sempre de olhar fixo na água, – a malta nova o melhor que tem a fazer é procurar vida noutro lado.
  O Tio Manél sentado numa lata de tinta velha sobre a qual depositara um pedaço de cortiça, eu no chão, era capaz de ficar ali horas a ouvi-lo, o sonho a tomar forma na minha cabeça, às vezes ele falava do Alentejo de há muitos anos atrás, outra vezes da época actual onde as pessoas estavam cada vez mais a voltar as costas, não são só as pessoas que precisam da terra, explicava, a terra também precisa das pessoas, no dia em que toda a gente a abandonar, encolhia os ombros, não quero tár cá para ver. O Tio Manél não era filósofo, nem profeta nem nada, nem tão pouco sabia ler ou escrever, simplesmente vivera toda a sua vida no Alentejo e sabia compreendê-lo e falar dele como poucos. Despertava de quando em vez das memórias que o transportavam para outro tempo e aconselhava-me.
  – Se calhar Victor, o melhor que tens a fazer é aceitar a oferta do João Raminhos e saíres daqui.
  Punha-se o sol por detrás do arvoredo quando nos despedia-mos, partia ele a caminho do monte, ali a quinhentos metros, caminhava eu devagar e pensativo rio acima a caminho da Aldeia, o sonho era mais bonito noutras paragens.
  – Mãe, se calhar quando o João Raminhos cá vier vou dizer-lhe que sempre quero ir.

excerto do conto «Balada para um rio imaginário» de António Góis

Published in: on Janeiro 30, 2010 at 1:22  Deixe um Comentário  
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